O Banco do Brasil (BB) pediu, na manhã deste sábado (18/11/2023),
perdão ao povo negro pelas gestões anteriores da instituição por participação
no processo de escravidão de pessoas negras, durante o século XIX, no país. O
pedido de perdão da atual gestão foi divulgado neste sábado (18/11/2023), no
site da empresa. O banco fundado em 1808, tem, pela primeira vez, uma
mulher negra em sua presidência, a funcionária de carreira Tarciana Medeiros.
Na nota, a presidente do Banco do Brasil diz que “direta ou indiretamente, toda
a sociedade brasileira deveria pedir desculpas ao povo negro por algum tipo de
participação naquele momento triste da história [escravidão].”
“Neste contexto, o Banco do Brasil de hoje pede perdão ao
povo negro pelas suas versões predecessoras e trabalha intensamente para
enfrentar o racismo estrutural no país. O BB não se furta a aprofundar o
conhecimento e encarar a real história das versões anteriores da empresa”
afirmou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.
Em setembro, o Ministério Público Federal instaurou inquérito para
investigar a relação entre a instituição e o tráfico de pessoas negras
escravizadas no século XIX. O órgão pediu, na ocasião, um posicionamento do
banco a respeito do assunto.
Dados apontados por historiadores indicam que a
instituição se valeu de recursos como a arrecadação de impostos sobre
embarcações dedicadas ao tráfico de pessoas escravizadas e destacam que o
capital para a formação do banco provinha da economia da época, que tinha na
escravidão e no comércio negreiro um papel central.
Já em novembro, o Banco do Brasil recebeu um
estudo que indicou envolvimento da empresa no comércio de negros
escravizados durante o século XIX. O documento elaborado por 14 pesquisadores
de universidades brasileiras e americanas faz parte do inquérito do Ministério
Público.
Os pesquisadores apontaram haver “vínculos diretos entre
traficantes e o capital diretamente investido em ações do Banco do Brasil”.
Além disso, acrescentaram que “a instituição também se favoreceu da dinâmica de
circulação de crédito lastreada na propriedade escrava que imperou ao longo de
toda a primeira metade do século XIX”.
O pedido de perdão do Banco do Banco ocorre junto com o
anúncio da adoção de um conjunto de novas medidas, que, de acordo com a
instituição, tem o objetivo de promover a igualdade e a inclusão étnico-racial
e de combater o racismo estrutural no país. O BB que espera que as novas
medidas impactem positivamente na relação com clientes, funcionários,
fornecedores, demais parceiros estratégicos da empresa e toda a sociedade.
A empresa considera que a diversidade em sua base e que a
mesma tem elevado potencial de inclusão financeira e geração de trabalho e
renda, também para pretos e pardos. “O simples fato de sermos uma instituição
da atualidade nos move a realizar atividades voluntárias com o compromisso
público e com metas concretas para combater a desigualdade étnico-racial e
buscar por justiça social no âmbito de uma sociedade que guarda sequelas da
escravidão, independentemente de existir ou não qualquer conexão, ainda que
indireta, entre atividades de suas outras versões e escravizadores do século
XIX”, enfatizou Tarciana Medeiros.
Para a presidente do Banco do Brasil, boas práticas podem
ser construídas de forma articulada com diálogo aberto com movimentos negros e
outras instituições públicas e privadas. “As sequelas da escravatura convocam
todos os atores sociais contemporâneos a agir para a promoção da igualdade
étnico-racial, a contribuir por meio de ações concretas, como as que o BB já
desenvolve de modo pioneiro, voluntário e destacado.
O Banco do Brasil fez, faz a fará muito pela diversidade
e desenvolvimento social e econômico em nossa sociedade. Para nós, Raça é
prioridade, sim!”, enfatiza Tarciana
O Banco do Brasil, constituído na forma de sociedade de economia mista, conta
com a participação acionária do governo federal em 50% desta sociedade anônima.
Por isso, o BB é considerado um dos cinco bancos públicos federais, ao lado da
Caixa Econômica Federal, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Nordeste (BNB).
Ações
Entre as ações anunciadas pelo Banco do Brasil para a promoção de inclusão
racial e do combate ao racismo estrutural no país, estão:
- Fomento ao mercado de trabalho para o povo negro, com a
inclusão de uma cláusula nos contratos com fornecedores do Banco do Brasil, a
partir de novas licitações, que promova a diversidade, equidade e inclusão nos
quadros de pessoal dessas empresas;
- O Banco do Brasil também fará parceria para encaminhar
jovens que participaram do programa Menor Aprendiz do BB para o mercado de
trabalho;
- Lançamento neste mês do edital de Empoderamento
Socioeconômico de Mulheres Negras, do entre o BB e o Ministério da Igualdade
Racial, para apoiar o fortalecimento institucional de organizações sociais e
empreendimentos econômicos solidários urbanos e rurais de mulheres negras;
- Realização em dezembro próximo do “MBM Inovahack”, do
Movimento Black Money, com a participação do Banco do Brasil, com o objetivo de
promover a inclusão financeira e econômica da população negra, por meio de
soluções tecnológicas consideradas inovadoras;
- Internamente, o programa "Raça é Prioridade"
da empresa vai selecionar e desenvolver a carreira de até 150 funcionários
pretos e pardos do Banco do Brasil, com potencial para atuar como líderes na
empresa, mas, que atualmente ocupam outras funções;
- Realização de um workshop sobre a promoção da
diversidade, equidade e inclusão com estatais e fornecedores do banco.
Para acompanhar as novas medidas anunciadas, o Banco do
Brasil criou um site que trata da construção de um futuro mais
diverso, inclusivo, equitativo e justo, em todos os contextos e para
todos. A página eletrônica trará atualizações de novas medidas que possam ser
anunciadas pelo banco.
APOIO CULTURAL, TOTAL E ESPECIAL NO GRUPO K.J. DE COMUNICAÇÃO:
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