A tecnologia é a aposta da prefeitura do Rio para prever a
chegada de temporais à cidade, cada vez mais frequentes devido às mudanças
climáticas. O investimento inclui a compra de um super-radar finlandês por R$
6,8 milhões, capaz de detectar a formação de núcleos de chuva a 150 quilômetros
de distância, além da ampliação da parceria com a Nasa (agência espacial
americana) para acesso a 25 satélites que podem informar sobre a possibilidade
de alagamentos e enchentes.
As medidas foram anunciadas dois dias depois de as ruas da
Lapa e do Catete ficarem mais uma vez inundadas durante as fortes chuvas. No
dia seguinte, com a volta do calor abrasador, passageiros continuaram a sofrer:
uma mãe, em desespero, quebrou o vidro de um ônibus sem ar-condicionado ao ver
o filho passar mal.
— Nenhum desses investimentos aqui nos traz imunidade ou a
certeza de que não teremos alagamentos na cidade. Nós temos alagamentos e
pedimos atenção das pessoas para que elas saibam que pode-se limpar ralo, mas
se elas jogarem lixo lá nada mudará — afirmou o prefeito Eduardo Paes durante a
coletiva em que foi divulgado o Plano Verão.
O novo radar ficará na Serra do Mendanha, na Zona Oeste, e
deve entrar em operação mês que vem. O equipamento vai detectar e escanear
nuvens de tempestades e até de chuvas de granizo quando elas ainda estiverem na
Região Serrana e na Costa Verde. Isso vai permitir ao Centro de Operações Rio
(COR) emitir alertas a tempo de os cariocas se prepararem.
— Essa aquisição vai aumentar bastante a nossa capacidade de
predição no chamado curto prazo. O nosso atual radar, instalado no Sumaré, tem
tecnologia banda C. Esse novo equipamento faz uma leitura vertical e horizontal
e consegue captar a presença de gelo nas nuvens. Com isso, a gente conseguirá
avisar, por exemplo, aos moradores de determinado bairro sobre a possibilidade
de chuva de granizo com uma pequena antecedência — explica o chefe-executivo do
COR, Marcus Belchior.
Já a parceira com a Nasa vai a possibilitar a adoção de dois
sistemas: o Lhasa Rio — primeiro modelo global de análise de risco de
deslizamentos — e o Rio Flood Model — que faz a previsão de enchentes em
curtíssimo prazo. O Estado do Rio tem hoje cinco radares meteorológicos.
Hoje os cariocas não precisam nem de tecnologia para saber
que, se chover um pouco mais forte, as ruas do Catete, por exemplo, vão virar
um rio. E, nos últimos meses, a cidade vem sofrendo ainda mais com temperaturas
elevadas e temporais. A onda de calor desta semana levou ainda ao aumento do
consumo de energia, sobrecarregando o sistema.
Ontem à tarde, moradores da Rocinha fecharam a Autoestrada
Lagoa-Barra, para protestar contra a falta de luz. O trânsito deu um nó na Zona
Sul. A Light informou que o problema na favela é agravado pelas ligações
clandestinas — 83% da energia distribuída é furtada.
Parte do problema climático é associada ao fenômeno El Niño,
responsável por afetar o tempo no continente, elevando as temperaturas e
provocando estiagem no Norte do Brasil e chuvas mais intensas no Sul do país.
No Rio, de acordo com meteorologistas do COR, a expectativa é que o verão carioca
seja de muito calor e chuvas mais irregulares.
Para enfrentar esse período, Paes afirmou que a prefeitura
registrou “recorde de dragagens”, com a retirada 555 mil toneladas de
sedimentos de rios. No ano passado, foram 490 toneladas. Segundo o prefeito, também
foram ampliados os serviços de manutenção da cidade, principalmente na Zona
Oeste.
A prefeitura divulgou ainda que foram feitas 166 obras de
contenção de encostas e que a Operação Ralo Limpo desobstruiu 300 pontos de
alagamento, considerados críticos em dia de chuva. A Rio-Águas também está
instalando megarralos — seis dos 20 previstos já estão prontos — para ajudar no
escoamento.
— Vou fazer uma breve comparação com a pia da sua casa. Pode
estar tudo limpinho, o cano está limpinho. Mas se jogar um balde de água maior
do que o volume aceito naquela pia, pode ter certeza que vai transbordar —
disse Paes, referindo-se aos alagamentos nas ruas.
O exemplo de Paes foi conferido de perto por quem passou
pela Lapa na última terça-feira. A região, principalmente na Rua Mem de Sá,
ficou totalmente alagada, com carros ilhados e calçadas submersas. O nível da
água só foi baixar na manhã de quarta-feira. A prefeitura disse que investiu,
desde 2011, mais de R$ 1 bilhão em programas de infraestrutura.
— Vamos continuar a ter problemas nesse verão. O Jardim
Maravilha, em Campo Grande, vai precisar de intervenções no padrão holandês.
Estamos investindo já, mas ali é um processo de quatro ou cinco anos de
intervenção — afirmou Paes.
Outra medida anunciada ontem pela prefeitura foi a mudança
das nomenclaturas dos estágios operacionais. Sempre que a rotina da cidade é
alterada, o COR emite alertas. Agora, os níveis serão baseados na Escala
Richter, utilizada no caso de terremotos. Em vez de nomes, serão números. Com
isso, o município espera dar uma resposta mais rápida à população em situações
de risco.
A escala continua a ter cinco estágios: do normal (numeração
1) ao mais grave (5). Agora, o estágio de normalidade passa a ser o estágio 1 e
tem a cor verde. Em seguida, vem o estágio 2, de cor amarela. O estágio 3 será
identificado pela cor laranja, e a vermelha indicará o nível 4. A situação mais
grave será o estágio 5, com a cor roxa.
Veja as novidades:
- Sistema
de detecção de raios para maior precisão na chega de chuvas;
- Parceira
com a Nasa para previsão de deslizamentos e criação do Rio Flood Model
para previsão de enchentes;
- Investimento
em tecnologia: implementação de novos equipamentos, de última geração.
Além de centros de inovação na vanguarda do monitoramento climático;
- Instalação
de 25 novos sensores pluviométricos, maior videowall da América Latina,
com tela de 104 metros quadrados e sala-cofre;
- Super-radar,
maior da América Latina, que permite ver o tamanho da nuvem e tem
capacidade de prever precipitação de granizo. Em dias de chuva, ele
detecta o volume de tempestades e se há formação de gelo. O aparelho
ficará instalado na Serra do Mendanha.
As novas medidas passam a serem implementadas no próximo
mês.
Com informações do GLOBO.
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