quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Autoridades descobrem plano para resgatar Marcola de penitenciária em Brasília

Plano descoberto envolvia o sequestro de agentes do sistema prisional e autoridades para servirem como reféns

Autoridades da Polícia Federal e do setor de inteligência do sistema prisional identificaram um plano para resgatar o traficante Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília. De acordo com informações extraoficiais, já foi solicitada autorização da Justiça para que ele seja transferido. 


O plano de fuga incluía o sequestro de agentes do sistema penitenciário federal, assim como de familiares. Uma das hipóteses seria utilizar essas pessoas como reféns e pedir a troca por Marcola. Além disso, estavam na mira autoridades federais, que ajudariam a pressionar o governo pela liberação do traficante. 


O plano, de acordo com fontes consultadas pela reportagem, foi batizado de STJ, em referência ao Superior Tribunal de Justiça. Um segundo plano, batizado de STF, em referência ao Supremo Tribunal Federal (STF), consistia no uso de "força bélica" para destruir os muros da penitenciária, provocar uma rebelião e liberar Marcola e outros líderes da facção que estão presos em Brasília. 


A transferência de Marcola deve ocorrer nos próximos dias e será conduzida pela Polícia Federal e outros órgãos federais ligados ao Ministério da Justiça. O destino do detento não foi informado por questões de segurança. 


Quem é Marcola?



Marcos Willians Camacho, o Marcola, é o líder de facção com mais tempo de pena para cumprir: 338 anos. Eram 342, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reduziu em quatro anos uma pena por roubo cometido por ele e comparsas em 1986, alterando a pena total do detento.



Desde que foi apontado como líder máximo do PCC, Marcola foi acusado de cometer vários crimes de dentro da prisão. Ele foi condenado por uma série de homicídios praticados quando já estava atrás das grades.



A maior condenação, de 160 anos, foi determinada em março de 2013, quando foi considerado culpado por uma chacina de oito presos na Casa de Detenção no Carandiru (SP).



A maior parte das condenações (290 anos de pena) foi por crimes quando Marcola estava preso, como mandante de roubos e homicídios. Outros 40 anos de pena foram por roubos a carros, bancos e empresas de valores entre 1980 e 1990. Ele também foi condenado pela morte de um juiz de São Paulo, em 2003.



Em todos os interrogatórios, Marcola nega ser integrante do PCC. Porém, o Ministério Público vem denunciando o detento como mandante de chacinas, atentados e assassinatos de agentes públicos, formação de quadrilha e associação à organização criminosa.


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