Plano descoberto envolvia o sequestro de agentes do sistema prisional e autoridades para servirem como reféns
Autoridades da Polícia Federal e do setor de inteligência do sistema prisional identificaram um plano para resgatar o traficante Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília. De acordo com informações extraoficiais, já foi solicitada autorização da Justiça para que ele seja transferido.
O plano de fuga incluía o sequestro de agentes do sistema penitenciário federal, assim como de familiares. Uma das hipóteses seria utilizar essas pessoas como reféns e pedir a troca por Marcola. Além disso, estavam na mira autoridades federais, que ajudariam a pressionar o governo pela liberação do traficante.
O plano, de acordo com fontes consultadas pela reportagem, foi batizado de STJ, em referência ao Superior Tribunal de Justiça. Um segundo plano, batizado de STF, em referência ao Supremo Tribunal Federal (STF), consistia no uso de "força bélica" para destruir os muros da penitenciária, provocar uma rebelião e liberar Marcola e outros líderes da facção que estão presos em Brasília.
A transferência de Marcola deve ocorrer nos próximos dias e será conduzida pela Polícia Federal e outros órgãos federais ligados ao Ministério da Justiça. O destino do detento não foi informado por questões de segurança.
Quem é Marcola?
Marcos Willians Camacho, o Marcola, é o líder de facção com
mais tempo de pena para cumprir: 338 anos. Eram 342, mas o Tribunal de Justiça
de São Paulo (TJSP) reduziu em quatro anos uma pena por roubo cometido por ele
e comparsas em 1986, alterando a pena total do detento.
Desde que foi apontado como líder máximo do PCC, Marcola foi
acusado de cometer vários crimes de dentro da prisão. Ele foi condenado por uma
série de homicídios praticados quando já estava atrás das grades.
A maior condenação, de 160 anos, foi determinada em março de
2013, quando foi considerado culpado por uma chacina de oito presos na Casa de
Detenção no Carandiru (SP).
A maior parte das condenações (290 anos de pena) foi por
crimes quando Marcola estava preso, como mandante de roubos e homicídios. Outros
40 anos de pena foram por roubos a carros, bancos e empresas de valores entre
1980 e 1990. Ele também foi condenado pela morte de um juiz de São Paulo, em
2003.
Em todos os interrogatórios, Marcola nega ser integrante do
PCC. Porém, o Ministério Público vem denunciando o detento como mandante de
chacinas, atentados e assassinatos de agentes públicos, formação de quadrilha e
associação à organização criminosa.
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